"É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve." (Victor Hugo).

domingo, 29 de abril de 2012

Nova área de conservação na caatinga em Pernambuco.

Estação Ecológica de Serra da Canoa, em Floresta (PE)

Em comemoração ao Dia da Caatinga, o governador Eduardo Campos lançou o programa Caatinga Sustentável e assinou o decreto que cria a segunda Unidade de Conservação (UC) do bioma. As iniciativas têm como principal objetivo preservar a biodiversidade existente na Caatinga que hoje ocupa apenas cerca de 50% de sua área original.
SERRA DA CANOA – O município de Floresta foi o escolhido para receber a segunda UC da Caatinga. A Estação Ecológica (ESE) de Serra da Canoa ocupará uma área de cerca de 6.600 mil hectares. A unidade foi adquirida como passivo ambiental pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e será repassada ao Estado.
A implantação da UC também é uma resposta à solicitação feita pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga (CERBCAA/PE) e  pela organização não-governamental SOS Caatinga, que tem sede no município. “A Caatinga é um bioma que toca cerca de 90% do nosso território e 135 municípios do estado tem uma realidade de semiárido sob ameaça de desertificação. E entre tantas outras políticas precisamos de uma que implante unidades de conservação para que essas áreas sejam realmente preservadas”, afirmou o governador, durante a cerimônia no Palácio do Campo das Princesas.
Gestora das Unidades de Conservação, Giannina Cysneiros comemorou os resultados obtidos com a criação, em 2011, do Comitê Executivo para Criação e Implantação de Unidades de Conservação de Pernambuco. “Em menos de um ano de trabalho do comitê partimos do zero para a implantação de oito mil hectares de área preservação na Caatinga”.
Serra da Canoa será uma unidade de proteção integral. Estudos técnicos desenvolvidos pelas equipes da CPRH e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade confirmaram as boas condições da biodiversidade na área. “A vegetação existente na Caatinga sobrevive às estiagens e a todo tipo de adversidade. Por tudo isso temos a possibilidade de encontrar riquezas que possam mudar a economia”, disse Eduardo.
Ao longo de 25 anos Pernambuco criou 66 Unidades de Conservação, mas nenhuma na Caatinga. Diante deste cenário, o Governo do Estado estabeleceu como meta prioritária implantar, até 2014, mais de 270 mil hectares de UCs em áreas suscetíveis à desertificação. Serão implantadas 81 unidades, desse total 68 ficarão na Mata Atlântica - bioma mais ameaçado do Brasil, com apenas 1% da cobertura original em Pernambuco -, e 13 na Caatinga. Além das unidades, 22 conselhos gestores estão em fase de consolidação.
(Fonte: Imprensa PE)



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Caatinga de Pernambuco terá nova área de preservação. Outra área sugerida pelo Comitê Estadual da Caatinga no ano de 2010.




Sertão: O Governo de Pernambuco pretende transformar terreno de 12 mil hectares, em Floresta (PE), em unidade de conservação. Negociação para a compra de imóvel está em curso.

Trecho de caatinga com 12 mil hectares, em Floresta, no Sertão, pode ser transformado em unidade de conservação estadual. A área, que pertence aos proprietários rurais, deve ser adquirida pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba - Codevasf, vinculada ao Ministério da Integração Nacional, e repassada para o governo de Pernambuco. A negociação está em curso e visa sanar o passivo ambiental da Codevasf. A estatal informa que uma das pendências é a reserva legal, porção de vegetação nativa que imóveis rurais devem obrigatoriamente proteger, do Perímetro Senador Nilo Coelho. Por lei, 20% dos 55 mil hectares do empreendimento devem ser protegidos. "Temos uma reserva com 3 mil hectares em Petrolina, mas precisamos de mais 8 mil hectares para completar a reserva legal", justifica o Chefe da Unidade Regional de Meio Ambiente da Codevasf (3ª SR), Luiz Gonzaga de Araújo.
Por sugestão, segundo ele, da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), a área de 12 hectares a ser desapropriada servirá também como compensação ambiental de impactos provocados por outros empreendimentos da Codevasf. "Obras de saneamento em que foi preciso desmatar", exemplifica.
De acordo com Luiz Gonzaga, o processo de implantação da reserva será iniciado, e em seguida interrompido, para permitir que o governo crie a unidade de conservação. Isso porque áreas protegidas não podem ser implantadas em matas destinadas à reserva legal. A indenização dos proprietários - o valor ainda não foi calculado - será bancado pela Codevasf.
Na próxima terça-feira (17,04), às 9h, o projeto de criação da estação ecológica será apresentado em audiência pública, na Câmara dos Vereadores de Floresta. O próximo passo para consolidação da proposta será a aprovação pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), dia 20, às 9h, no auditório do Cais do Porto, na Rua do Apolo.
A intenção do governo é publicar decreto instituindo a unidade de conservação, no Diário Oficial do Estado, em 28 de abril, quando se comemora o Dia Nacional da Caatinga. A data foi definida em 2003 por decreto federal e é alusiva ao nascimento do ecólogo pernambuco João Vasconcelos Sobrinho (1908-1989).

CANOA

Chamada Serra da Canoa, a localidade em  Floresta (PE), se encontra em bom estado de conservação. Esta será a segunda área conservada em nível estadual na caatinga. A primeira é o Parque Estadual da Mata da Pimenteira, em Serra Talhada. Com 887,24 hectares, a unidade de conservação, criada no início do ano, fica na Fazenda Saco, estação experimental do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). Todas as outras são no domínio da mata atlântica.
(Fonte: Jornal do Commercio - Ciência e Meio Ambiente)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

III Workshop Potencial Biotecnológico da Caatinga - Dia 24 de abril na Univasf em Petrolina (PE).


Programação

Dia 24 de abril de 2012 (terça-feira)

9:00- 9:30h Abertura oficial do evento

9:30-9:45h Intervalo

9:45- 12:15h

Mesa Redonda: Conservação e substâncias biologicamente ativas do Bioma da Caatinga

Coordenador: Profa. Dra. Márcia Vanusa da Silva- Departamento de Bioquímica- UFPE

Manejo de espécies florestais para a região Semiárida

Dr. Marcos Drumond- Embrapa Semiárido

Avaliação do potencial químico e farmacológico de espécies da família Bromeliaceae nativas da caatinga: pesquisa de novas moléculas com atividade analgésica, antiinflamatória e antiulcerogênica.
Dr. Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida- Colegiado de Ciências Farmacêuticas- UNIVASF.

Plantas da Caatinga: atividade contra microrganismos patogênicos
Dr. Alexandre José Macedo- UFRGS. Coordenador da Rede de Biofuncionalização de Superfícies.


12:15h Intervalo Almoço

14:00- 16:30h Mesa Redonda: Caracterização de Metabólitos Especiais e Sistemas produtivos de plantas medicinais
Coordenador: Dr. Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida- Colegiado de Ciências Farmacêuticas- UNIVASF.

O Bioma da Caatinga como fonte de recursos genéticos para o melhoramento de plantas
Dra. Carolina V. Morgante- Embrapa Semiárido
Isolamento e identificação estrutural de metabólitos secundários oriundos das plantas da Caatinga.
Dra. Tânia Maria Sarmento da Silva- Departamento de Química- UFRPE
Desenvolvimento de cadeia produtiva de Plantas Medicinais.
Dra. Cláudia Sampaio de Andrade Lima- UFPE


16:30h Instituto de Bioprospecção e Conservação da Caatinga- IbcC.

Dra. Márcia Vanusa da Silva- Coordenadora do IbcC
Realização:

Instituto de Bioprospecção e Conservação da Caatinga- IbcC

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Através de Decreto, Governador cria a primeira reserva estadual da caatinga de Pernambuco. O CERBCAA/PE foi o primeiro a levantar esta bandeira.

Mata da Pimenteira em Serra Talhada (PE) - Foto: Semas

"É com grande satisfação que informamos da assinatura, pelo Governador Eduardo Campos, do Decreto Nº 37.823, de 30 de Janeiro de 2012, que Cria o Parque Estadual Mata da Pimenteira, localizado no Município de SerraTalhada, neste Estado.  Esta é a primeira Unidade de Conservação da Natureza , instituída em
Pernambuco, pelo Governo Estadual no Bioma Caatinga. A criação desta Unidade, fruto da iniciativa do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA, UFRPE (Unidade Serra Talhada), Aspan e Governo de Pernambuco, é uma conquista para todos os “Caatingueiros” de Pernambuco e do Nordeste brasileiro.
Abraço
Hélvio Polito Lopes Filho 
(Secretário Executivo da SEMAS)
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"Com a criação do Parque Estadual Mata da Pimenteira, através do Decreto nº 37.823 assinado ontem pelo Governador Eduardo Campos, o CERBCAA/PE cumpriu uma etapa importante de sua razão de ser: a conservação do bioma Caatinga em nosso Estado.
Alcançamos um objetivo importantíssimo na consolidação da Reserva da Biosfera da Caatinga em Pernambuco, pois, sem unidades de conservação não existe Reserva da Biosfera.
Agradecemos a todos que participaram desta conquista, especialmente, os membros do CERBCAA/PE que compreenderam a dimensão deste objetivo desde o inicio.
Agradecemos a direção da CPRH, através do seu presidente Dr. Hélio Gurgel, que não colocou nenhum obstáculo desde a nossa primeira conversa sobre a criação desta UC.
Ao Dr. Hélvio Polito que priorizou esta proposta na Secretaria de Meio Ambiente.
A prefeitura de Serra Talhada que entendeu a importância de ter uma UC no seu território.
A direção do IPA que mesmo perdendo parte de seu patrimônio colaborou para que esta UC fosse criada.
Enfim, todos que lutam em defesa da Caatinga estão de parabéns e mais motivados para continuarem trabalhando em favor do desenvolvimento sustentável do bioma Caatinga.
Saudações Caatingueiras,
(Elcio Alves de Barros- Coordenador do CERBCAA/PE)
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A Mata da Pimenteira, em Serra Talhada, a 450 km do Recife, é a primeira reserva estadual de caatinga de Pernambuco A secretaria estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade – Semas concluiu o processo de criação da primeira Unidade de Conservação (UC) estadual no bioma Caatinga. Após conclusão dos estudos técnicos, da audiência pública realizada em Serra Talhada e da aprovação do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), a formalização da reserva foi feita através do decreto nº 37.823 assinado no dia 30/01/2012 pelo governador Eduardo Campos. O Parque Estadual Mata da Pimenteira será implantado no município de Serra Talhada, a 450 Km do Recife.

Durante o ano de 2011, técnicos da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e da Semas, realizaram o processo de análise e reconhecimento das áreas que vão compor essa UC. Com 887 hectares, o Parque Estadual Mata da Pimenteira será composto por fragmentos da Serra Talhada, Serra Branca e da Mata da Pimenteira, que vai dar nome ao Parque. A criação da UC vai contribuir para a preservação e a restauração da diversidade ecológica da Caatinga naquela região.

As características biológicas da área e a necessidade de ampliar as atividades de pesquisas já existentes no local levaram os técnicos da Semas e da CPRH a categorizar a UC como Parque Estadual permitindo assim a realização de atividades ecoturísticas ressaltando as vocações naturais, culturais, artísticas, históricas da região.

O secretário executivo da Semas, Hélvio Polito, explicou que área onde será implantada a UC foi identificada, segundo estudos da UFRPE, como área de alta importância biológica para conservação. “A Universidade de Pernambuco e a UFRPE já possuem centros de pesquisa naquela região. O Parque Mata da Pimenteira será o quintal das universidades, possibilitando que elas realizem pesquisas criando assim uma cadeia de informações para preservação da Caatinga, um Bioma ainda pouco estudado na sua biodiversidade”, enfatizou.

Em junho do ano de 2011 a Semas instituiu o Comitê Executivo para Implantação de Unidades de Conservação em Pernambuco. Desde que foi criado o Comitê já identificou outras áreas prioritárias na Caatinga para criação de novas UC’s.

A meta agora é implantar 81 unidades de conservação da Mata Atlântica e Caatinga até 2014, agregando, no entorno, projetos de geração de emprego e renda para as comunidades locais com atividades sintonizadas com a proteção, como sementeiras, apicultura, ecoturismo, ecoesportes, educação ambiental.

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga, através de seu Coordenador Elcio Alves de Barros e Silva, representando as suas 34 instituições, iniciou estes estudos no ano de 2009, conversando com a Prefeitura de Serra Talhada, Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), Sectma e depois SEMAS, Ministério do Meio Ambiente e promovendo frequentes  reuniões sobre este tema.

Nesta data, todos os pernambucanos estão de parabéns, os caatingueiros, as Instituições como SEMAS, CPRH, IPA, ASPAN, UFRPE e o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga com seu empenho e dedicação a esta causa.

Leia a retrospectiva da implantação da UC em Serra Talhada no Blog da Caatinga:





quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ceará quer dar exemplo e criar lei de convivência com o semiárido.

A luta pela água ainda constitui um desafio no semiárido nordestino
A luta pela água ainda constitui um desafio no semiárido nordestino
(Foto: Rodrigo Carvalho)

Durante mais de 100 anos, o semiárido foi visto como a terra do atraso e da seca. Hoje, vive um novo momento.

Conviver com a adversidade parece ser a sina da população que habita o semiárido nordestino, que realiza uma queda de braço com um dos principais infortúnios da região: a seca, cujos primeiros registros datam da colonização do Brasil, em 1534. O estigma do semiárido como a terra do atraso permanece por mais de um século. Só a partir dos anos 1990 essa realidade começa a ser transformada.
A criação de uma política de convivência com o semiárido, como propõe Eudoro Santana, secretário executivo de Altos Estudos da Assembleia Legislativa do Ceará, representa uma luz no fim do túnel, no sentido de reverter o quadro de desigualdade entre o semiárido cearense e as demais regiões do Estado.
O primeiro passo seria a criação do "Pacto pela convivência com o semiárido cearense", a partir do documento "Bases para a formulação de uma política estadual de convivência com o semiárido cearense, fruto de dois anos de pesquisa. Caso seja efetivada, "o Ceará vai dar um exemplo como fez com a água", festeja Eudoro Santana, ressaltando que mesmo sendo responsabilidade do governo federal, até hoje, não deu uma resposta. "Essa nova cultura que está sendo construída deve ser consolidada com uma política", reforça.
Assim, enquanto não vem a política nacional para o semiárido, o Ceará se antecipa, diz com entusiasmo. O estudo funciona como um desdobramento do Pacto das Águas, que constitui um dos 34 programas que compõem o Plano estratégico de convivência com o semiárido.

Mudanças climáticas

Hoje, no contexto das mudanças climáticas, a discussão em torno das regiões semiáridas - que compreendem 40% do território global, concentram 30% da população e mais da metade da pobreza do mundo - torna-se urgente, já que serão das áreas mais afetadas com o aquecimento global, pondo em risco desde a migração até o desaparecimento de espécies vegetais e animais, além da segurança alimentar dos seus habitantes.
Há projeções de que a temperatura na região fique ainda mais elevada, sendo a África um dos continentes mais afetados. No Brasil, em especial o Nordeste, concentra os maiores índices de pobreza. Eudoro Santana explica que três fatores inspiraram a elaboração do pacto, vindo em primeiro lugar, o Pacto das Águas. O segundo, o plano de combate à desertificação, baseado no programa nacional.
"A desertificação possui ligações com o semiárido", pontua Eudoro Santana, citando como terceiro fator, a Segunda Conferência Internacional sobre Clima (Icid+18), realizada em 2010, em Fortaleza. Outra proposição do estudo: "desconcentrar a economia da Região Metropolitana de Fortaleza, para onde têm convergido os investimentos públicos e estão localizados os projetos estruturantes do Estado, e desenvolver a economia no semiárido cearense".
As medidas têm a finalidade de fortalecer a "ecologia do semiárido". As propostas são fruto de amplo processo de discussão e participação de instituições que representam a sociedade.
No primeiro momento, era preciso fazer a contextualização do cenário, elegendo quatro eixos principais. São eles: economia, situação ambiental, construção e elaboração de uma nova cultura, políticas públicas e educação, resultando no documento composto to por 132 páginas, propondo a formulação de uma política para o semiárido.
Ao final, propõe a constituição de uma comissão especial para analisar esse documento, que tem a pretensão de ser transformado em projeto de lei, esclarece Eudoro Santana. "A ideia é que este documento crie um arcabouço jurídico" para a formulação de um decreto ou resolução, não importa.
O Ceará possui 86,8% do seu território localizado na região semiárida, abrigando 150 municípios e 56% de sua população. Demonstração de contradição é expressa pela distribuição do Produto Interno Bruto (PIB), como o documento mostra em 2007, quando 34 municípios localizados fora do semiárido concentravam 70% do PIB cearense, enquanto os 150 restantes ficaram com 30%.

Contextualização

A devastação da paisagem do Nordeste começa no período colonial quando ocorre a retirada da mata nativa para o plantio da cana-de-açúcar. Estava assim consolidada a prática agrícola da monocultura, cujos efeitos são sentidos nos dias atuais, como ressalta o sociólogo pernambucano, Gilberto Freyre, no ensaio Nordeste - Aspecto da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil.
Descoberto pelo litoral, representando por terras férteis e de abundância, o semiárido ou sertão surge como uma contradição da Terra Brasilis. A partir do século XVII, considerado como sertanejo, há o deslocamento do foco do litoral, aquela imensidão de terras férteis, por onde se deu a descoberta do Brasil, mais tarde, passa a ser reconhecida oficialmente como região Nordeste, o sertão ganha destaque sendo palco da civilização do couro e do gado.
É nesse cenário que o sertão consolida-se como uma das regiões mais ricas em belezas naturais, concentrando o bioma Caatinga. Isso significa que, historicamente, o homem nordestino conviveu com as adversidades da região, sendo uma das principais, a escassez de água. Até há pouco tempo, o homem sobrevivia utilizando algum conhecimento do semiárido, destaca Eudoro Santana, citando o programa de açudagem como forma de combater as secas.

Tábua de pirulito

O Ceará conta com mais de 26 mil açudes, sendo comparado a uma "tábua de pirulito". Destaca o ponto de vista cultural que envolve a discussão em torno da seca, sempre relacionada à ideia de pobreza e vista com negativismo. É importante lembrar que os primeiros relatos de secas aparecem no fim do século XIX.
Para Eudoro Santana, é importante lembrar a participação das igrejas, dos institutos de pesquisa, sindicatos e dos movimentos sociais na formulação de um novo olhar sobre o semiárido, no sentido de descobrir as suas potencialidades.
Cita como produtos desse novo semiárido, mel orgânico, leite e carnes de caprinos. Apesar de não existir rios perenes, a piscicultura é uma alternativa para compensação de proteínas na alimentação dos seus habitantes. "Esses rios devem ser povoados de peixes", sugere. A tecnologia é capaz de reverter a situação do semiárido que começa a incorporar novas culturas, citando a oliveira para a produção de azeite, além de peixe de cativeiro.

Política

"Se aprovada, a política de convivência com o semiárido nordestino, mais uma vez, o Ceará vai dar um exemplo"

Eudoro Correia

Sec. exec. de Altos Estudos da AL-CE

(Fonte: Diário do Nordeste - IRACEMA SALES- REPÓRTER)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Conheça o Parque da Cidade de Pedras, no Piauí.


O Parque Nacional das Sete Cidades fica a 190 quilômetros de Teresina. O local tem 6,2 mil hectares e é famoso pelos monumentos geológicos.

Terra de encantos e cultura preservada. Partimos da Capital, Teresina, e viajamos 170 quilômetros até Piracuruca, onde está um dos mais famosos parques nacionais do País: Sete Cidades. uma metrópole de pedra. Uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga, com 6.000 hectares protegidos pelo Ibama. E por gente como o turistólogo Oziel de Araújo Monteiro, voluntário na defesa desse patrimônio e "inventor" de uma nova profissão: curiólogo, "cara curioso, que aprende tudo e vivencia na alma o lugar", como ele mesmo define.
E o curiólogo que praticamente nasceu dentro do parque é nosso guia para conhecer de perto estas Sete Cidades e suas fantásticas atrações. Segundo o "curiólogo" Oziel, no Parque "o xique-xique é um cacto chique duas vezes".
Chique mesmo é contemplar as formações de arenito, distribuídas em sete blocos, onde a mãe Natureza mostrou todo o dom artístico. São rochas de 400 milhões de anos, aproximadamente, quando o sertão nordestino era mar. Com o recuo das águas, os mineirais ficaram expostos a temperaturas elevadas e começaram a tomar formas diversas. Hoje o sertão ainda tem água. As nascentes que brotam no Parque abastecem o circuito das águas e suas piscinas naturais.

A imaginação ganha formas

E nas montanhas de pedra, a arquiteta imaginação cria um novo mundo... imaginário. Lentamente, surge uma tartaruga. E outro bicho, o elefante. Do outro lado, descansa o cachorro, um São Bernardo. Até animais gigantes e famosos têm espaço, como o lendário King Kong. O boi sem chifre e o galo sem cabeça também estão lá. O galo literalmente perdeu a cabeça: segundo o turistólogo Oziel "diz a história que os primitivos degolaram a cabeça dele porque ele cantava muito cedo".
Em Sete Cidades a imaginação não tem limites nem distâncias. Nessa pedra, por exemplo, o nome veio de longe, da França: é o Arco do Triunfo, ou simplesmente Arco, para os mais antigos. Segundo os místicos esse seria um portal para um novo mundo. E quem atravessasse poderia fazer até 3 pedidos. Com 3 exceções: nem casamento, nem riqueza, nem beleza. Eu já sou casado, não me preocupo muito com dinheiro e sei que não sou nenhum galã. Vou fazer meus pedidos aqui, mas em segredo.
Nas Sete Cidades, um mapa do Brasil, na pedra. E até quem proclamou a Independência do brasil foi homenageado: D. Pedro I parece estar comendo alface.

Misticismo na gruta

Na quarta cidade está um lugar muito frequentado por romeiros, a gruta do Catirina. Era um eremita, um curandeiro, que tinha ervas medicinais e com elas tentava curar o filho deficiente físico e mental. "A vinda do Catirina para essa gruta foi por pressão da sociedade, por causa do problema do filho. Imagine na década de 20 ou 30 o que era isso no sertão do Piauí", conta Oziel.
Depois da saída de Catirina, as pessoas passaram a frequentar a gruta, fazer rezas, acender velas e deixar oferendas aqui. A poucos metros da caverna está o túmulo onde o eremita e o filho foram enterrados.
O Parque de Sete Cidades é famoso pelas marcas do passado. No Sítio Arqueológico do Camaleão, figuras retratam como era a vida há 6.000 anos. Com a palavra o turistólogo Oziel: "O que se sabe é que houve ocupação humana na pré-história, mas alguns historiadores dizem que foram os fenícios, há 3.000 anos; outros dizem que foram os vickings; outros, que foram os extraterrestres e alguns autores brasileiros atribuem aos primitivos mesmo, tribos do kiriris ou tabajaras, que viveram nessa região na faixa de 2.000 a 3.000 anos atrás.
"Tem um clima de misticismo, de arqueologia, é um lugar fascinante", opina o turista Roberto Broder.

Bendita maldição!

Diz a lenda que Sete Cidades é resultado de uma maldição lançada a um príncipe e a uma princesa, petrificados em forma de lagartos, um de frente para o outro, a pouicos metros. Os 7 reinos viraram rochas. Diz a lenda também, segundo Oziel, que quando os lagartos "príncipe" e "princesa" se reencontrarem e se beijarem, tudo voltará ao normal. "Mas tem que ser naturalmente, ninguém pode apressar o processo senão vira pedra também", esclarece o turistólogo.
Enquanto o feitiço não se desfaz, vale contemplar a magia da cidade de pedras.
(Fonte: EPTVglobo)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pernambuco cria primeira reserva estadual na caatinga.

 


Helvio Polito


Mata da Pimenteira, em Serra Talhada, a 450 km do Recife, é a primeira reserva estadual de caatinga de Pernambuco A secretaria estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade – Semas concluiu o processo de criação da primeira Unidade de Conservação (UC) estadual no bioma Caatinga. Após conclusão dos estudos técnicos, da audiência pública realizada em Serra Talhada e da aprovação do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), a formalização da reserva depende apenas do decreto que será assinado nos próximos dias pelo governador Eduardo Campos. O Parque Estadual Mata da Pimenteira será implantado no município de Serra Talhada, a 450 Km do Recife.
“É um momento histórico e um passo fundamental para a preservação deste bioma único no mundo, que tem importância cada dia maior para reduzir os impactos do aquecimento global e evitar a desertificação do nossa região semi-árida”, destacou o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Sérgio Xavier, também presidente do Consema.
Durante este ano, técnicos da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e da Semas, realizaram o processo de análise e reconhecimento das áreas que vão compor essa UC. Com 887 hectares, o Parque Estadual Mata da Pimenteira será composto por fragmentos da Serra Talhada, Serra Branca e da Mata da Pimenteira, que vai dar nome ao Parque. A criação da UC vai contribuir para a preservação e a restauração da diversidade ecológica da Caatinga naquela região.
As características biológicas da área e a necessidade de ampliar as atividades de pesquisas já existentes no local levaram os técnicos da Semas e da CPRH a categorizar a UC como Parque Estadual permitindo assim a realização de atividades ecoturísticas ressaltando as vocações naturais, culturais, artísticas, históricas da região.
O secretário executivo da Semas, Hélvio Polito, explicou que área onde será implantada a UC foi identificada, segundo estudos da UFRPE, como área de alta importância biológica para conservação. “A Universidade de Pernambuco e a UFRPE já possuem centros de pesquisa naquela região. O Parque Mata da Pimenteira será o quintal das universidades, possibilitando que elas realizem pesquisas criando assim uma cadeia de informações para preservação da Caatinga, um Bioma ainda pouco estudado na sua biodiversidade”, enfatizou.
Em junho deste ano a Semas instituiu o Comitê Executivo para Implantação de Unidades de Conservação em Pernambuco. Desde que foi criado o Comitê já identificou outras áreas prioritárias na Caatinga para criação de novas UC’s.
O secretário Sérgio Xavier informou que outras 12 áreas de caatinga estão sendo estudadas e, em breve, serão transformadas também em unidades de conservação. “Nossa meta é implantar 81 unidades de conservação da Mata Atlântica e Caatinga até 2014, agregando, no entorno, projetos de geração de emprego e renda para as comunidades locais com atividades sintonizadas com a proteção, como sementeiras, apicultura, ecoturismo, ecoesportes, educação ambiental etc”, enfatizou.

O Mapa dos biomas brasileiros

O Mapa dos biomas brasileiros
Confira o mapa dos principais biomas da natureza brasileira

Um olhar sobre a natureza brasileira!

Clip de 3 minutos com fotos de natureza no Brasil por Daniel De Granville Photo in Natura

Tom da Caatinga

Tom da Caatinga - Rio São Francisco Parte I

Tom da Caatinga - Rio São Francisco Parte II

Tom Caatinga - Rio São Francisco Parte III

Tom da Caatinga - Ecologia Parte I

Tom da Caatinga - Ecologia Parte II


Vídeos: Assista aos episódios de "Guardiões da Biosfera"